Primeiro quero deixar claro que não sou especialista em rap, mas sim um fã do gênero. Esse post é puramente feito da sensação de se ouvir um disco. Espero um dia ampliar meus conhecimentos no rap e poder analisar mais profundamente.
Quatro elefantes marchando por bases intensas, densas e certeiras. Sim! O discão do Projeto Manada acabou de sair do forno.

Ouvir Urbanidades é sentir o peso da loucura paulistana em beats e rimas. O quarteto poetiza nas quatorze faixas os problemas da megalópole que passam e repassam e repassam em jornais, papos de bar e terapias. Vão do trânsito ao cartão de crédito e ao transporte público. Mas, talvez, o que há de mais belo no trabalho do grupo é subversão do caos em amor, transformando o álbum numa grande homenagem a São Paulo. Transformando o cinza e a loucura em inspiração.
Talvez seja essa inspiração do cinza, do concreto, da sensação constante de ser sugado pela cidade que leve essa nova escola do rap paulistano a celebrar a música pela música, o que, naturalmente, expande os horizontes do gênero. O público que essa geração quer não é o público do rap somente, eles querem o público da música, seja qual for o seu alcance. Esta celebração ao prazer de fazer rap é dita em diversos momentos do disco, sempre enaltecendo o coletivo e a força dos quatro juntos.
A música do Projeto Manada é transmitida através de bases pesadas. O bumbo pesa nos fones, com uma batida grave e ressoante. A cama se completa com sintetizadores, pianos, samplers e outros instrumentos, que durante os versos e refrões criam riffs marcantes, seja com um violão ou um baixo. Diversos produtores trabalharam nas bases de Urbanidades, mas a sonoridade do disco é homogênea, dando uma cara de álbum mesmo.
As vozes revezam-se nos versos e se completam nos refrões, que funcionam no propósito pop de um refrão. Os timbres ásperos dos MCs cantam o rap de forma dura e direta, variando entre o grave e o agudo, marcando o estilo próprio de cada um. As rimas acompanham a diversidade de sentidos da música do Manada, o protesto existe como tem que existir, mas não só disso se baseiam as letras, a tal celebração da música pela música e o rap pelo rap também são temas, além, claro, do cotidiano da cidade.
Discão para se ouvir no fone e com o volume cruel. O Projeto Manada entrou de vez no time A da nova escola do rap paulistano.
Sinta o peso da manada nas rimas, no bumbo e na caixa!
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Post atrasado!
Eu sempre quis conhecer Brasília direito, só tinha ficado uma noite lá até então, não que em três dias você conhece de fato, mas dessa vez pelo menos deu pra curtir duas noites pela capital e suas avenidas gigantes.
Fui pra lá cobrir o festival El Mapa de Todos, organizado pelo senhor mestre Fernando Rosa, ou Pink Fernando para os chegados, que por diversos momentos me contou boas histórias dos primórdios do rock gaúcho ou do indie nacional.
O festival foi uma beleza só, a começar pela estrutura. Os shows aconteceram no Espaço Brasil Telecom, que fica nas instalações do hotel absurdo Brasília Alvorada Park. E pra minha surpresa, foi lá mesmo que ficamos hospedados. O hotel é um caso a parte, toda vez que eu entrava no lobby eu desacreditava.
Bom, outro acerto do festival foi a programação com quatro bandas por dia, cinco no sábado. Uma escalação com poucas bandas por dia é melhor pra todo mundo, pros artistas, pra imprensa, pra quem trabalha, pra todos! Chega de festivais com 15 bandas por dia, isso é foda.
El Mapa de Todos tinha como proposta trazer artistas da América latina para terras brasileiras, além da presença de artistas de Portugal e Espanha e algumas apresentações nacionais. A curadoria de Fernando Rosa foi fina, a maioria da programação fez belos shows. Segue algumas do festival:
O cantor/compositor português chegou na correria, foi do aeroporto pro palco e fez bonito! Com um show intimista, Azevedo emocionou o teatro com canções tristes e profundas. Acompanhado do guitarrista Filipe Grácio, a apresentação se baseou em guitarra e violão, com apenas duas ou três músicas com duas guitarras. Curti muito o show, folk português, ou fado indie como definiu Fernando Rosa. O último disco do cara está para download aqui.
O duo de Montevidéu fez um show minimalista, alternando momentos tranqüilos com uma das distorções mais altas da história. Curti os caras. Rolaram até umas gaitas no meio, como se Bob Dylan encarnasse em Steve Albini.
Fez um bom show, mas fico com o Hurtmold.
Nunca imaginei ver um show dos caras sentado. Esse foi num teatro! Show foda pra variar, deixou alguns gringos de boca aberta que eu vi!
Babasónicos
Blah! Não achei nada demais na tal mega banda argentina que lota estádios na terra do tango.
Por falar em tango, os argentinos do La Quimera Del Tango sim mostraram que valeu a pena a grana das passagens. O trio, que no festival se apresentou como um quarteto devido a uma fratura no dedo do vocalista, faz releituras bem humoradas do tradicional gênero argentino. Pena que meu espanhol é um lixo, porque dizem que o mais bacana são as letras. Tango de boteco, massa!
A cantora chilena fez uma apresentação que permeia entre o tosco e o foda! Sério, por alguns momentos eu vibrei, outros nem tanto, o que me fez pensar que ela deveria encontrar um produtor que transformasse a moça numa Mia da América do Sul. Os bons momentos do show foram meio pancadão brega com efeitos bregas de teclado e Javiera dançando de um jeito estranho, sem jeito pra ser franco, com um chapéu ridículo e tênis de skatista! Da hora.
A banda da Espanha é meio wanna be The National as vezes. Fez um show ok, com raros momentos realmente bons.
Foi a cereja do bolo! Nada melhor pra acabar um belo final de semana na terra do Lula do que um showzão do Mundo Livre. Foi a única banda que fez o teatro se levantar e dançar. Numa noite inspirada, Fred 04 e companhia destruíram o espaço com um set perfeito e disposição de adolescente! Foi foda!
Parabéns ao Pink, foi um festival e tanto! E muitíssimo obrigado pelo hotel, nossa, queria estar lá AGORA!
Nota: fotos roubadas do site do festival.
Fiquei um tempo sem escrever e muita coisa acumulou, então vai tudo de um vez!
Passion Pit
Sabe quando você descobre uma banda nova e começa a escutar seu disco no repeat todos os dias e momentos? Sabe quando você escuta o disco e quando ele acaba você não acha nada para escutar depois? Sabe quando você fala que está enjoado de ouvir o disco e quando você procura algo no mp3 player você passa por ele mil vezes até que se rende e escuta de novo? Pois é, o Passion Pit fez isso comigo com o maravilhoso EP “Chunk of Change”.
O disco é uma sequência absurda de 6 hits de um electro pop indie refinado, com direito a hit nostálgico, hit celebração e hit pista! Com timbres bem trabalhados, palminhas e linhas de vocais contagiantes, o quinteto de Cambridge, Massachusetts, fez um EP envolvente e grudento, daqueles que dá vontade de escutar no carro com os amigos, e um disco sexy, daqueles que dá vontade de escutar na cama, com sua garota, antes, durante e depois.
“Chunk of Change” mistura sonoridades que lembram coisas como o Postal Service e Hot Chip, apropriado para celebrar de qualquer maneira. As batidas, as linhas vocais e as palminhas te carregam junto, discasso!
Segue o clipe bacana de “SleepyHead”
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The Motherfuckn’ Death Set!
Sério, eu queria ser do Death Set! O esquema aqui é celebração agressiva no stop partying hard!!!
Worldwide, primeiro disco lançado pela banda poderia ter sido feito por você, com um casiotone velho e uma guitarra de terceira mão, no seu porão. Com bases do tipo tum-ta-tum-tum-ta, guitarrinhas distorcidas e tecladinhos bacanas, o disco é uma discotecagem! Juro, você pode ouví-lo na íntegra numa balada! É uma festa só!
Electro-pop-indie-hardcore-celebration!!!!
Queria ter uma banda assim as vezes!
E os caras ainda são da trupe do Dan Deus Deacon!
segue o clipe de “Negative Thinking”:
Ta, o post chama mil posts pois eu ia falar de várias coisas, mas deu preguiça, vai isso mesmo!
Arquivado em: Uncategorized | Tags: America, Arcade Fire, Bruce Springsteen, Obama, Pitchfork, Superchunk, The National, Wilco
Em dia de eleger o próximo senhor da américa só digo uma coisa: Obama é pop!
Sem entrar em méritos políticos, mesmo porque o carisma pop pode muito bem ser uma máscara e a tão celebrada campanha do astro-político pode naufragar com o levante “Change” que o apoia. Mas o cara é carismatico, fato, e eu simpatizo com ele! Espero de verdade que o eleitorado americano cagão não vacile na última hora, enfim…
Mas o fato aqui é que ninguém movimentou a cena musical como o Barack fez nesses dois anos de campanha. Os inúmeros shows em prol do candidato mais hype dos últimos tempos dariam um festival de botar neguinho na UTI, tipo última Peligro no Milo. Entre os muitos nomes que fazem parte desta lista estão Wilco, Jay-Z, The National, Joanna Newsom, Devo, Les Savy Fav, Fiery Furnaces, Low, Tapes ‘n Tapes, The Decemberists, Arcade Fire, Superchunk e o fuckin’ BOSS Bruce!
Diz aí, Obama Festival seria fódão!
Wilco e Obama e o iPod do Obama!
Pra finalizar, só queria dizer que achei massa essa idéia da Pitchfork:
Bixo, o Silver Jews vai tocar numa caverna no dia 31 de Janeiro. O show faz parte do Bluegrass Underground, um programa de rádio gravado na Cumberland Cave. Saca só o pico:
E ai? Quem mais queria estar lá? Por enquanto fico no aguardo do documentário “Silver Jew“, que deve ser de quebrar o queixo! De aperitivo vai o trailer:
Chorei.
Arquivado em: Uncategorized | Tags: Chinese Democracy, Christmas on Mars, Flaming Lips, Wayne Coyne
Tá, eu amo o Flaming Lips, e daí???
Mas olha só isso e diga que é exagero da minha parte? Finalmente saiu o longa metragem da banda, o Chinese Democracy dos filmes, “Christmas on Mars”! Como o Wayne é um ET de verdade e não para um segundo, ele resolveu preparar uma caixa especial do filme, inteiramente feita na fantástica fábrica nos fundos da sua própria casa! Diga-se de passagem que entre os empregados da fábrica estão o Space Ghost, uma zebra e uma mulher pelada!
O kit vem com camiseta exclusiva, o dvd do filme com extras e trilha sonora, adesivo, cards dos personagens, tickets de entrada das exibições do filme e um saco de pipoca com o emblema do filme COM PIPOCA DENTRO.
Detalhe pra deixar fã maluco, os primeiros 1000 kits vendidos vem com o saquinho de pipoca autografados pelos Lips! E para os fãs malucos e sortudos, entre os 1000 primeiros, dez kits vem com o Golden Ticket do filme, que da acesso VIP para o show de Ano Novo da banda em Oklahoma!
Falei, mas é melhor deixar o Deus Wayne te mostrar o Mega Deluxe Christmas on Mars Package:
EU QUERO UM, NOSSA SE EU QUERO!!!!
Arquivado em: Uncategorized | Tags: Deus, Flaming Lips, Guitar Hero, Lightning Bolt, Wayne Coyne
A NBC resolveu renovar seus jingles e escalou uma série de artistas e bandas para explorarem a famosa chamada da rede, um simples Sol, Mi e Dó. Entre T.I., B.B. King e The B-52’s, o Flaming Lips participou e pra variar foi foda demais. Barulhera e Tam..tam…taaaaaaaaaaam!
Mas o que chama a atenção no vídeo, além da ótima entrevista com o Wayne, é a nova guitarra que ele construiu. O corpo é de uma Gibson SG dupla, branca, com o braço de cima normal e o braço de baixo… bem, o braço de baixo é um braço das guitarrinhas do game mania fudido Guitar Hero (game que, segundo Dan Deacon, tem os dedinhos de Brian Gibson, aka baixista do Lightning Bolt, por de trás)! O braço de video game é acoplado num modulador de frequências e o resultado disso voce pode imaginar, barulhera dos infernos! “That’s what rock’n roll is all about, isn’t it?” resume Wayne sobre seu novo brinquedinho!
Veja o vídeo aqui!
Flaming Lips é vida!









