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Post atrasado!
Eu sempre quis conhecer Brasília direito, só tinha ficado uma noite lá até então, não que em três dias você conhece de fato, mas dessa vez pelo menos deu pra curtir duas noites pela capital e suas avenidas gigantes.
Fui pra lá cobrir o festival El Mapa de Todos, organizado pelo senhor mestre Fernando Rosa, ou Pink Fernando para os chegados, que por diversos momentos me contou boas histórias dos primórdios do rock gaúcho ou do indie nacional.
O festival foi uma beleza só, a começar pela estrutura. Os shows aconteceram no Espaço Brasil Telecom, que fica nas instalações do hotel absurdo Brasília Alvorada Park. E pra minha surpresa, foi lá mesmo que ficamos hospedados. O hotel é um caso a parte, toda vez que eu entrava no lobby eu desacreditava.
Bom, outro acerto do festival foi a programação com quatro bandas por dia, cinco no sábado. Uma escalação com poucas bandas por dia é melhor pra todo mundo, pros artistas, pra imprensa, pra quem trabalha, pra todos! Chega de festivais com 15 bandas por dia, isso é foda.
El Mapa de Todos tinha como proposta trazer artistas da América latina para terras brasileiras, além da presença de artistas de Portugal e Espanha e algumas apresentações nacionais. A curadoria de Fernando Rosa foi fina, a maioria da programação fez belos shows. Segue algumas do festival:
O cantor/compositor português chegou na correria, foi do aeroporto pro palco e fez bonito! Com um show intimista, Azevedo emocionou o teatro com canções tristes e profundas. Acompanhado do guitarrista Filipe Grácio, a apresentação se baseou em guitarra e violão, com apenas duas ou três músicas com duas guitarras. Curti muito o show, folk português, ou fado indie como definiu Fernando Rosa. O último disco do cara está para download aqui.
O duo de Montevidéu fez um show minimalista, alternando momentos tranqüilos com uma das distorções mais altas da história. Curti os caras. Rolaram até umas gaitas no meio, como se Bob Dylan encarnasse em Steve Albini.
Fez um bom show, mas fico com o Hurtmold.
Nunca imaginei ver um show dos caras sentado. Esse foi num teatro! Show foda pra variar, deixou alguns gringos de boca aberta que eu vi!
Babasónicos
Blah! Não achei nada demais na tal mega banda argentina que lota estádios na terra do tango.
Por falar em tango, os argentinos do La Quimera Del Tango sim mostraram que valeu a pena a grana das passagens. O trio, que no festival se apresentou como um quarteto devido a uma fratura no dedo do vocalista, faz releituras bem humoradas do tradicional gênero argentino. Pena que meu espanhol é um lixo, porque dizem que o mais bacana são as letras. Tango de boteco, massa!
A cantora chilena fez uma apresentação que permeia entre o tosco e o foda! Sério, por alguns momentos eu vibrei, outros nem tanto, o que me fez pensar que ela deveria encontrar um produtor que transformasse a moça numa Mia da América do Sul. Os bons momentos do show foram meio pancadão brega com efeitos bregas de teclado e Javiera dançando de um jeito estranho, sem jeito pra ser franco, com um chapéu ridículo e tênis de skatista! Da hora.
A banda da Espanha é meio wanna be The National as vezes. Fez um show ok, com raros momentos realmente bons.
Foi a cereja do bolo! Nada melhor pra acabar um belo final de semana na terra do Lula do que um showzão do Mundo Livre. Foi a única banda que fez o teatro se levantar e dançar. Numa noite inspirada, Fred 04 e companhia destruíram o espaço com um set perfeito e disposição de adolescente! Foi foda!
Parabéns ao Pink, foi um festival e tanto! E muitíssimo obrigado pelo hotel, nossa, queria estar lá AGORA!
Nota: fotos roubadas do site do festival.
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