Greed Eyes, America


O Peso da Manada!
Dezembro 9, 2008, 7:09 pm
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Primeiro quero deixar claro que não sou especialista em rap, mas sim um fã do gênero. Esse post é puramente feito da sensação de se ouvir um disco. Espero um dia ampliar meus conhecimentos no rap e poder analisar mais profundamente. 

Quatro elefantes marchando por bases intensas, densas e certeiras. Sim! O discão do Projeto Manada acabou de sair do forno.

manada

Ouvir Urbanidades é sentir o peso da loucura paulistana em beats e rimas. O quarteto poetiza nas quatorze faixas os problemas da megalópole que passam e repassam e repassam em jornais, papos de bar e terapias. Vão do trânsito ao cartão de crédito e ao transporte público. Mas, talvez, o que há de mais belo no trabalho do grupo é subversão do caos em amor, transformando o álbum numa grande homenagem a São Paulo. Transformando o cinza e a loucura em inspiração.

Talvez seja essa inspiração do cinza, do concreto, da sensação constante de ser sugado pela cidade que leve essa nova escola do rap paulistano a celebrar a música pela música, o que, naturalmente, expande os horizontes do gênero. O público que essa geração quer não é o público do rap somente, eles querem o público da música, seja qual for o seu alcance. Esta celebração ao prazer de fazer rap é dita em diversos momentos do disco, sempre enaltecendo o coletivo e a força dos quatro juntos.

A música do Projeto Manada é transmitida através de bases pesadas. O bumbo pesa nos fones, com uma batida grave e ressoante. A cama se completa com sintetizadores, pianos, samplers e outros instrumentos, que  durante os versos e refrões criam riffs marcantes, seja com um violão ou um baixo. Diversos produtores trabalharam nas bases de Urbanidades, mas a sonoridade do disco é homogênea, dando uma cara de álbum mesmo.

As vozes revezam-se nos versos e se completam nos refrões, que funcionam no propósito pop de um refrão. Os timbres ásperos dos MCs cantam o rap de forma dura e direta, variando entre o grave e o agudo, marcando o estilo próprio de cada um. As rimas acompanham a diversidade de sentidos da música do Manada, o protesto existe como tem que existir, mas não só disso se baseiam as letras, a tal celebração da música pela música e o rap pelo rap também são temas, além, claro, do cotidiano da cidade.

Discão para se ouvir no fone e com o volume cruel. O Projeto Manada entrou de vez no time A da nova escola do rap paulistano.

Sinta o peso da manada nas rimas, no bumbo e na caixa!